Exaustão em Estacionamentos Subterrâneos: Como Garantir Qualidade do Ar e Segurança?
Projetar sistemas de exaustão para estacionamentos subterrâneos é uma etapa crucial para garantir qualidade do ar, segurança contra incêndios e atendimento à legislação vigente. Com o aumento do número de edifícios residenciais e comerciais verticalizados, esse tipo de ambiente se tornou padrão – e com ele, a responsabilidade de projetar uma renovação de ar eficaz e segura.
Se você é arquiteto e está à frente de um projeto com subsolo ou garagem coberta, este artigo vai esclarecer o que você precisa prever em termos de infraestrutura, normas e compatibilização, além de destacar o papel essencial do engenheiro HVAC.
Por que a exaustão em estacionamentos é obrigatória nesses ambientes?
Estacionamentos subterrâneos acumulam gases tóxicos provenientes da queima de combustíveis fósseis, principalmente:
- Monóxido de carbono (CO)
- Dióxido de nitrogênio (NO₂)
- Material particulado (MP)
Esses poluentes podem atingir níveis perigosos se não forem removidos adequadamente. A ventilação natural, quando possível, é sempre bem-vinda, mas raramente atende aos critérios técnicos exigidos em ambientes subterrâneos.
O que diz a ASHRAE?
A ASHRAE Standard 62.1, referência internacional para ventilação em edifícios não residenciais, estabelece vazões mínimas de exaustão para estacionamentos fechados, independentemente do número de veículos em circulação.
A norma sugere:
- 7,5 L/s por carro ou 1,5 cfm/ft² de área de piso, para ventilação contínua.
- Alternativamente, sistemas intermitentes acionados por detectores de monóxido de carbono (CO) podem ser utilizados, com redução da vazão média desde que se respeite a renovação mínima durante a presença de veículos.
Além disso, a ASHRAE recomenda que sistemas mecânicos sejam preferenciais quando a ventilação natural não for capaz de diluir os poluentes em níveis seguros.

No Brasil, o que é exigido?
As normas brasileiras, como a NBR 15575 (Desempenho) e a Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros (IT-15 em São Paulo), trazem exigências específicas:
- Renovação mínima de ar em mínimo de 6 trocas por hora (TPH) em ambientes fechados.
- Previsão de extratores de fumaça e calor em caso de incêndio.
- Inclusão de exaustores com acionamento automático via sensores de CO, permitindo economia de energia quando o nível de poluentes estiver aceitável.
Boas práticas para compatibilização com a arquitetura
Como arquiteto, algumas decisões suas podem facilitar ou dificultar muito o projeto HVAC do estacionamento:
- Altura mínima livre para instalação dos dutos.
- Espaço técnico adequado para os ventiladores e registros corta-fogo.
- Racionalização do layout para permitir trajetos diretos de dutos horizontais, com menor perda de carga.
- Considerar vazão adicional para ambientes com fluxo intenso de veículos (shoppings, hospitais, supermercados).
Em edifícios maiores, é comum dividir o sistema por zonas e usar ventiladores tipo jet fan, que dispensam dutos e fazem o arraste horizontal do ar poluído para os exaustores principais.
Conclusão
A exaustão mecânica em estacionamentos subterrâneos é muito mais que um requisito de projeto é proteção à vida e à saúde dos ocupantes, e um item decisivo em aprovações com o Corpo de Bombeiros e licenciamento ambiental.
Se você é arquiteto e está desenvolvendo projetos com garagens subterrâneas, entre em contato com a Delta T Projetos. Atuamos desde o dimensionamento da exaustão até a compatibilização com o layout arquitetônico e atendimento às normas locais e internacionais.
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